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Debrucei-me, um dia, sobre meus alfarrábios,
em busca da pocão mágica que encontraste:
Ervas aromáticas, pétalas de rosas, raspas de topázios,
asas de borboleta, óleos suaves, tintas em contraste.
Vesti cores de terra, busquei meu talismã — uma opala,
perambulei em sonhos por longíquas cidades medievais.
A feiticeira poderosa — é preciso resgatá-la,
aquela que conhece os ritos, sortilégios e coisas tais.
Uma bola de cristal, turbante, sangue cigano,
teu calor de imã, teus olhos brilhantes, tua lua,
livros pesados, monastérios, todo o saber humano,
saí de feiticeira como se fosse carnaval de rua.
Tal qual Morgana, esperei ansiosa pela minguante
e tomei minha poção prateada numa noite escura.
Tal qual Quixote,lendário cavaleiro errante,
agora vagueio mágica, mística, sublime na ventura!
(Mirtes Sfredo
Wicteky)
  
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