Indesvendado

 

Ainda restam,
nas entrelinhas, 
vestígios de lágrimas.

Ainda, no ar ausente, 
pousam pássaros vagabundos 
e sonhadores. 

Na mudança aparente,
o mesmo tom de malícia
e a procura desenfreada.

Os véus são diáfanos
e deixam vislumbrar,
por instantes,
o permanente desconhecido,
onde há marcas de luz e sombra.

Onde, por uma fresta,
vislumbro
a porção de azul 
da ansiedade
pela antiga busca.

Antes, um corcel
negro e alado
ensaiava seus vôos.

Ele se transforma,
às vezes
numa absurda estrela
nos olhos 
de um arlequim.

Ou então é 
a estátua imóvel
do Pensador.

Ainda resta
o infinitamente
indevassável,
o impenetrável.


E isto é o Tudo 
e o Muito..

(Mirtes Sfredo Wicteky)

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