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Acredito que existam muitas pessoas que já sentiram o que eu
defino por “Estado de Graça”.
Acho que só experimenta esta sensação quem muito sofreu intimamente, quem passou
por grandes desilusões, quem teve que suportar muitas perdas.
Não se passa um dia inteiro em Estado de Graça.
É uma sensação passageira, mas inesquecível.
Acontece sem a interferência da vontade, posso
dizer que ocorre como um estado de espírito momentâneo e quase
indefinível.
São momentos em que o tempo parece não existir. A impressão é
que o corpo desaparece e só a alma
brilha no espaço, lúcida, plena e livre.
Quando menos esperamos, ele está lá, invadindo-nos,
preenchendo-nos, ultrapassando nossos limites corpóreos.Parece que o milagre nos
toma em suas mãos iluminadas e nos eleva a um patamar destinado aos deuses.
É a consciência plena do estar vivo, é sentir-se parte da
natureza, é um hino de aleluia...
Difícil de expressar o que se passa conosco quando estamos em
Estado de Graça.Poderia dizer que se trata de um sentimento singular de
liberdade e, ao mesmo tempo, de “ser com o mundo”.
Poderíamos, quem sabe, afirmar que, quando estamos em paz
conosco e com os outros, em reflexão ou oração, ou mesmo numa contemplação da
beleza é que esta sensação se manifesta.
Estado de Graça é um leve roçar das asas do espírito na
matéria de que são feitas as estrelas, da névoa dos sonhos com a realidade da
vida, da porta do infinito com o horizonte visível.
O Estado de Graça é uma ponte entre o humano e o divino, é a
luz de um súbito entendimento penetrando pelos vitrais de uma catedral gótica, é
a magia dos raios de sol por entre as nuvens, é a arte humana alcançando o
imponderável...
Só quem sentiu, poderá descrevê-lo...