Como a água

 

Gostaria que a minha vida fosse como a fonte que brota no âmago da floresta: Singela e límpida e que matasse a sede dos passantes, fatigados pelo percurso.

 

Queria poder ser um lago de águas azuis, que espelhasse o colorido do céu, das folhas e das flores e, que, mesmo com as tormentas, conservasse, depois, sua placidez e o direito de ser o que é.

 

Queria ser como um rio sem poluição, que oferecesse a todo o ser vivente um lenitivo para a dor e inspirasse um desejo de beleza exterior e interior. Eu tornaria férteis minhas margens e, quando represado, me transformaria em energia, para ser útil aos homens.

 

Se eu fosse a chuva, cairia docemente, molhando a terra, fazendo germinar as sementes e renovando todo o planeta.

 

Ás vezes, queria ser uma terrível tempestade, para açoitar os injustos, os corruptos, os cruéis, até tirá-los do egoismo e da cegueira em que se refugiaram.

 

Gostaria de ser a simples água da torneira, mas com o poder de lavar o corpo e a alma de todos os seres e tirar de mim todas as imperfeições.

 

Eu queria ser o mar, misterioso e profundo, belo e perigoso, para lembrar sempre do quanto somos pequenos e infinitos.

 

Gostaria de me transformar num riacho, para me misturar à natureza e cantar com ela sua canção harmoniosa.

 

( Mirtes Sfredo Wicteky)

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