Bolha de sabão

 



A tarde de outono ostentava um
formoso céu azul, enfeitado de nuvens brancas,
 que brincavam de ser figuras de ovelhas, dragões, 
estátuas e borboletas.

As árvores, com suas folhas vermelhas, marrons 
e douradas, desenhavam uma deslumbrante tela, 
de perfeito pintor.

Ipês amarelos e lilases,quaresmeiras e jacarandás 
floresciam cores alegres no dia, 
numa inesperada primavera.

Raios de sol penetravam por entre as árvores, 
que filtravam luzes encantadas.

Mas as bolhas de sabão, delicadas e frágeis, 
retiravam os olhares de todo este 
cenário luminoso e colorido.

Sob o céu brilhante, elas flutuavam leves,
 transparentes e multicoloridas, atraindo 
olhares de crianças e adultos.

Estas esferas diáfanas executavam uma
 dança de finos cristais, embaladas pela tênue 
melodia do vento, pelo ruído alegre dos passantes, 
pela música inaudível da beleza do mundo.

Como a vida, esta flor única e perfumada, 
esta estrela de reflexos inesquecíveis, 
este anjo meigo que chegou como um presente.

Por instantes, fico perdida na multidão da rua, 
pequena, confusa, ao identificar-me 
com as hipnóticas bolinhas de luz.

...E de repente eu era uma bolha de sabão no 
meio da tarde, no meio das árvores, 
no meio das nuvens...Uma bolha dançante,
 uma lágrima flutuante, um brilho provisório...


(Mirtes Sfredo Wicteky)

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