|

Aspirações antigas,
perdoem-me o curto vôo.
A ânsia de infinito
reduziu-se ao meu quintal.
A tristeza chegou
e apossou-se
do meu corpo efêmero
e da minha alma
desesperançada.
O céu imenso,
as gaivotas,
e as luzes brilhando
na água,
acendem em mim
a profunda ternura
da lembrança
que fere meu coração
de saudade.
Hoje, a poesia
do mar
de esmeralda
me traz aos olhos
todo o Sentimento.
Não há como fugir.
Belas asas dilaceradas
e não cicatrizadas.
Gotas de sangue
sobre brancas plumas.
O corpo estéril
busca seu prolongamento
ausente.
A alma, confusa
perdeu o espaço,
o céu,
o norte.
O tempo, impiedoso
levou
os sonhos,
que desabam
em água.
(Mirtes Sfredo Wicteky)
******
|