Amor  
 




Era uma vez dois amantes,
embriagados de amor.
Era uma vez dois destinos
desafiando a dor.

Agiam como que em sonho,
seu tudo era o sentimento,
o tempo, como um mágico,
ultrapassava o momento.

Belas asas, belos pássaros
docemente a flutuar,
sem consciência do mundo,
duas sonatas a bailar.

Suas peles eram pétalas de flores,
a respirar perfumes de vida,
provocando os olhares de todos
a comtemplar a subida.

Amavam-se na rua, no ar, 
para escândalo dos passantes
que não lembravam mais
dos seus tempos de amantes.

A intensidade brilhava neles
auréolas de anjos
que resplandeciam no concerto
de uma orquestra de banjos.

Eram crianças inocentes,
construindo castelos de sonhos,
enquanto o comum dos mortais,
fechava sua casa, tristonho.

Eram madrugadas acesas,
eram dois astros dançantes,
eram retalhos de vento,
eram a síntese dos amantes.

(Mirtes Sfredo Wicteky)

  

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